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crónica de um Verão deprimente

Pedro Simão Mendes, em 17.08.17

os meus dias têm sido repetitivamente sombrios.

é Agosto e está muito calor. trinta e dois graus celsius, de acordo com o instituto português do mar e da atmosfera. o país está assolado de incêndios.

deveria estar ocupado a trabalhar no meu projecto de doutoramento. mas não estou. a universidade está fechada, e decidi fazer uma breve pausa, a ver se recupero a motivação, desaparecida desde Maio. poderia ocupar-me com as actividades típicas de Verão: ir ao rio, ou à praia; dar mergulhos numa piscina; ler um livro; raios, poderia até ir beber uma caipirinha com os amigos. poderia, se eles me dessem alguma atenção, ou estivessem disponíveis. não estão. não dão. atenção nenhuma. já ninguém quer saber. desde que acompanhem o que se passa nas instastories, acham que sabem o que se passa na minha vida. mas não sabem. e, realmente, não querem saber.

os meus dias têm sido passados, repetitivamente, sozinho. em minha casa, deitado no sofá, sou engolido pelos feeds das redes socias das quais não me consigo descolar. ou faço binge-watching de novas séries. algo que me deixe escapulir desta realidade deprimente em que tenho vivido. é que sozinho não me dá vontade para fazer as típicas actividades de Verão, que na verdade quero fazer com alguém. não sozinho. mas estou repetitivamente sozinho, nestes dias cheios de sol, mas tão, tão sombrios.

ontem cozinhei waffles pela primeira vez. ficaram boas, e esse foi o ponto alto do meu dia. hoje, o ponto alto foi ter engolido uma pastilha elástica e, por brevíssimos momentos, ter sentido aquele pânico que senti tantas vezes em criança. e isto é que é triste: estas serem as aventuras exorbitantes do meu quotidiano.

amanhã talvez me engasgue a beber água.

vou esperar para ver.

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às 16:21




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