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dos quartos de século

Pedro Simão Mendes, em 10.05.17

nota: este texto foi escrevinhado perto do meu viségimo quinto aniversário (passado outubro), levemente editado agora. achei engraçado partilhar. (a última parte foi escrita agora)

 

lembras-te daqueles momentos em que, como adolescente, só querias atingir a maioridade? ter 18 anos era, achavas, como uma meta que te permitiria fugir às decisões impostas pelos outros – poderias, finalmente, tomar as rédeas da tua vida. só que não foi bem assim. a única diferença é que depois dos 18, o tempo ganhou asas e a vida passou-te toda à frente, num ápice. foi tudo tão rápido que por volta dos 22 já te tinhas apercebido de que o tempo passa depressa demais e que não há volta a dar. a vida é mesmo assim.

agora, com 25, pensas que começas a ficar velho. estás à mesma distância dos 20 e dos 30. ainda há uns dois anos brincavas com os teus amigos trintões, por serem velhos, e agora os 30 estão a espreitar ao fundo da esquina. como é que o tempo passou tão depressa?

mas o pior são os sinais do tempo a passar. estás a ficar careca… é triste, mas os genes que vieram do teu pai deram-te entradas maiores que a pista de aterragem do aeroporto Sá Carneiro; as dores das costas, cada vez mais frequentes: talvez seja o peso da idade. mas depois pensas melhor, e afinal percebes que é mais provável terem sido as más posturas ao longo da vida, e mais recentemente, de passares o tempo todo alapado no sofá, e de trabalhares numa caixa de supermercado porque na tua área de estudos não é assim tão fácil de arranjar emprego, e não conseguiste aquela bolsa da FCT para um doutoramento. 

depois olhas ao espelho e vês que não é só a idade, vês que cresceste mesmo. é a tua ex-namorada de sete anos e meio te oferecer uma prenda de aniversário das mais significativas que alguma vez alguém te deu, e perceberes que não faz mal estar só, que está tudo bem, e que aquela relação foi boa enquanto durou, e por ter durado tanto, foi especial. é teres a capacidade de reconhecer que ninguém se arrepende de nada, e que as coisas mudam, naturalmente, e é altura de seguir em frente. é guardares tudo o que foi especial numa caixa de cartão, e sonhares com um amor parecido.

é reconheceres que podes procurar adultos responsáveis como tu, para sexo sem compromisso, e está tudo bem. mas infelizmente o tinder não funciona assim tão bem, e é-te complicado encontrares raparigas interessantes dispostas a isso. mas que por outro lado, encontrar rapazes é bastante fácil. é entender que é possível amar mais do que duas pessoas simultaneamente.

é perceberes que com os 25, os 30 estão à porta, e por isso, sentes uma vontade enorme de fazer tudo o que ainda não fizeste. então, vais viajar. e arriscas, finalmente arriscas, e vais. é olhar o futuro e, mesmo que não vejas coisa nenhuma, continuas a andar.

estes foram os meus 25, mais coisa menos coisa.

***

entretanto, mais coisas se passam, e o tempo continua a correr. percebes que afinal, mesmo aos 25, não tens maturidade emocional para continuares numa vida de tinder. e que procurar um porto-seguro com quem queres partilhar os bons e os maus momentos é-te muito mais agradável. percebes que és capaz de amar novamente, e que depois de tanto tempo, tens muitos medos. finalmente conseguiste uma bolsa de doutoramento e vês que a vida anda para a frente. então, ter 25 anos é também querer sair da casa dos teus pais, e querer ser (mais) independente. é finalmente assumires quem és perante o mundo, mesmo que não queiras saber o que o mundo pensa. é perceber que não é fácil ser-se adulto, mas ter a esperança de que coisas boas acontecem porque, afinal de contas, percebes que és boa pessoa. é querer continuar a ser boa pessoa, e tentar ser melhor pessoa. é tentar ver o que há de bom nas outras pessoas. é sentir que coisas boas podem mesmo acontecer, e que o futuro pode, eventualmente, ser risonho. apesar dos medos, apesar das dúvidas, apesar do desconhecido.

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às 20:17




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