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#491

Pedro Simão Mendes, em 19.04.13

we will see.*

 

 

*uma música nova, que "compus" esta semana, cujo título deu origem ao texto a que podem aceder no link.

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às 01:18

ferrugem

Pedro Simão Mendes, em 19.04.13

forçar-me-ei a escrever. mesmo não possuindo as palavras, o vocabulário suficiente para quebrar o silêncio como o despedaça meu pensamento à velocidade da luz. não vive o sossego em mim nem tão pouco a calma de uma maré baixa. antes a incúria de uma tempestade me invade. grito só por só estar. e sem ti estou e custa tanto o respirar. resta-me a ferrugem à beira-praia, abandonada pelo mar. silhuetas perdidas na areia de um verão que não voltará. como tu, como o nosso amor. ou voltará? e o bater de asas e o levantar voo de uma gaivota e o seu choro no ar são tudo o que não posso aguentar, encarcerado na razão de a não ter. de te não ter. mas ter-te-ei afinal e não o sei? espuma que me lava ou suja os pés salgados por ti e por este caminhar. perdi-me na praia, perdi-me de ti. e de mim. já não sei voar. e o horizonte nada é se nele nada encontro. forçar-me-ei a escrever teu nome na areia, vezes sem conta até que voltes. voltarás? ou até os céus proferirem o segredo de nunca regressares. não há voz nem palavras que quebrem este silêncio que não oiço em mim. duas vidas, uma vida com travo de terra e outra de mar. e a culpa é minha, que te não soube amar. colhi quatro pedras e lancei-as ao mar. olhei o chão à espera que voltassem na maré. não voltaram.

 

escrito a 17.04.2013

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