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«como lhe acontecia havia muito tempo, pedro acordou dum modo súbito, já com a sensação curiosa de ser uma criatura viva, responsável e integrada em todos os problemas. dava-lhe esse despertar uma disposição semelhante à da insónia. era como se o tempo para si fosse imensidão inevitável, sem intervalos de inconsciência e de paz. sentia-se viver eternamente, de olhos abertos perante si mesmo, as coisas, as lembranças todas e os deveres do seu mundo. depois desse despertar rápido, sem transição de sonolência, a impressão de que parecia viver eternamente através do tempo sem fim, consciente e contudo extraordinariamente brumoso e lento, ficava-lhe enleada em todo o seu ser como uma coisa pungente e que lhe fazia mal. levantava-se depressa, agitava-se, procurava no ambiente, na luz, nas horas seguintes, as coisas novas dum novo dia. mas era em vão. a impressão de que tudo era igual para si e seguia igual, de que entre a noite e o dia, para si, não houvera sombra nem trégua, de que vivia já infinitamente entregue ao tempo, pavoroso de tão vasto, horrível de tão sereno,  - isto persistia em si.»

 

in mundo fechado, agustina bessa-luís

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às 00:25



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