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#584

Pedro Simão Mendes, em 12.12.13

o sofrimento dos outros é-nos tão alheio, tão longínquo, que chega a ser fácil brincar com ele. é que quando se olha tanto tempo para o próprio umbigo, como olhamos sempre, o sofrimento dos outros parece-nos tão ridículo que até dá riso. e começa assim, pelo riso, porque os outros são assim e assado, e é bem feito!, e porque os outros deviam ser daquela maneira e não agir assim... ou assado. e nós é que somos os maiores, os mais grandes, os perfeitos, detentores de toda a sabedoria e toda verdade do mundo. e depois torna-se algo mais intrusivo, que promove esse sofrimento. pensamentos verbalizados entre amigos, compinchas do gozo, cochichos e risos conjuntos que visam o mal estar do outro, porque nos dá prazer, porque nos faz rir. e depois, não passamos de bullies, idiotas que regridem ao estado de troglodita que se sentem felizes em rir-se dos outros.

 

mas há-de chegar o dia em que o riso cai mal, o riso enjoa pela forma como entoa nos ouvidos dos outros - e nos nossos. e pensaremos então, ou bom seria se pensássemos, que o sofrimento dos outros, embora pareça distante, é muito semelhante ao nosso - e andamos todos à procura o mesmo, e temos todos os mesmos medos, os mesmos receios - e, por isso, deveríamos levantar a cabeça, desviar o olhar da nossa barriga e olhar em volta. e ver.

 

há-de chegar o dia.

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às 19:58



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