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#674

Pedro Simão Mendes, em 17.09.15

passo horas no centro da cidade. passo dias no centro da cidade. primeiro chove, agora faz sol. é o verão a terminar, o outono a despertar. sou eu a trabalhar, a oferecer panfletos: é para que dá um mestrado nos dias de hoje, neste país.

a dezassete de setembro de dois mil e quinze, hoje, relembro como é o outono de braga. o frio banhado pelo sol que aquece e evapora a água de chuvas prévias; o cheiro a castanhas assadas no ar; as pessoas a passear na avenida; os velhos sentados nos bancos do jardim, ou na esplanada d'a brasileira. tinha saudades da minha estação predilecta (que na verdade ainda não chegou) nesta minha cidade. é que há um ano estive longe, não foi a mesma coisa. aqui o sol aquece de verdade, e o céu é mesmo azul; aqui as castanhas são genuínas e as pessoas também.

aqui posso dizer que o ar me cheira a outono. aqui posso sentir o outono chegar-me à pele, ao nariz e ao palato. e vê-lo chegar nas cores das folhas que mudam lentamente ou nas roupas quentes que os corpos trazem, no vazio das ruas quando chove ou nas pequenas multidões sob o sol breve.

 

entrego panfletos a idosos, público-alvo da campanha publicitária/de rastreios de saúde. atento a pormenores que usualmente me passam despercebidos, comovendo-me com a desumanidade que as pessoas carregam e com a inocência das crianças que se perde depressa demais, e fico triste.

percebo que a evolução da sociedade tornou a nossa vida numa simples, vã existência. uma inércia purgatória, em que o quotidiano não passa de um repeat vazio de sentido(s). e nesta repetição, caminhamos de olhos fechadas e, por isso, não (nos) vemos.

os velhos têm muito para ensinar, mas sinto que têm muito que aprender também. faz falta falar. faz falta abrir os olhos. e os ouvidos. e a mente. no fundo, acordar e (voltar a) viver.

 

antes que seja tarde demais.

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às 22:21



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