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#688

Pedro Simão Mendes, em 23.11.15

aquele momento em que não sei preparar uma mala para quatro dias.

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às 22:00

do não fazer nada

Pedro Simão Mendes, em 21.11.15

estás a conduzir e é noite. é tarde. está frio lá fora e quente dentro do carro. ouves a música alta e o som do ar quente que o carro produz. é nesse instante que percebes que esse é aquele momento. aquele momento da tua vida em que nada mais parece fazer sentido. em que o dia que passou foi apenas tempo a passar. em que existir não é mais do que isso mesmo, ver o tempo passar. nesse momento, que fazes?

o momento em que falas mas ninguém te ouve realmente. o momento em que a realidade é virtual. em que tudo acontece, mas só vês metade – a que se escolhe partilhar. estamos agarrados aos smartphones, procurando saber o que os outros fazem com a sua vida e perdemos o tempo para viver a nossa, ou para escutar a vida de quem está fisicamente ao nosso lado. nesse momento, que fazes? pegas no teu smartphone e jogas um joguinho, ou vês memes para distrair, ou procuras saber o que os outros estarão a fazer.

o momento em que alguém te fala mas não ouves nada por estares perdido nos teus pensamentos. a voz torna-se ruído de fundo e o discurso imperceptível. até que notas que, afinal, a voz é tua. és tu quem fala e ninguém te ouve. e não sabes o que tanto dizes. terás assim tanto para dizer? claramente nada de interessante, e é por isso que ninguém quer escutar. nesse momento, que fazes? calas-te.

o momento em que a interacção social com outros seres humanos nada de humano tem. o momento em que a humanidade é falsa. o momento em que mostrar que se faz é mais importante do que fazer, e a partilha é virtual. o que fazes? ficas a pensar quão a tua vida é miserável.

a réstia de esperança que tinhas na Humanidade esvai-se aos poucos, à medida que ela própria definha nos seus actos individualistas, consumistas, actos puramente egoístas disfarçados de oco altruísmo. e o que fazes? nada.

agora que a tragédia alheia te dói, que fazes? agora que tens de tomar as rédeas da tua vida, que fazes? agora que sabes que tens de mudar, que fazes? agora que tens de agir, que fazes?

 

nada. estaciono, desligo o carro. entro em casa. vou dormir.

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às 21:00

still alice

Pedro Simão Mendes, em 15.11.15

Still_Alice_-_Movie_Poster.jpg

acabei de ver este filme, que retrata um dos meus maiores medos: perder a memória, perder quem somos. está algo de emocionalmente poderoso.

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às 19:47

#685 ou do (ainda) estar sentado

Pedro Simão Mendes, em 12.11.15

depois de ter sido capaz de entrar no programa doutoral ao qual me candidatei, mas não ter direito a bolsa, entrei num estado depressivo semelhante ao de há 5 anos.

para ter financiamento, tinha de ter "melhor currículo" (leia-se: "artigos publicados"). por isso, como não tenho capacidade financeira para suportar um doutoramento, resta-me melhorar o currículo (leia-se: "publicar") e tentar novamente daqui a um ano. para isso, preciso continuar a trabalhar em investigação - como voluntário. não que haja mal algum nisso, porque eu gosto de o fazer. o problema é que, parecendo que não, é preciso dinheiro para sobreviver e os meus pais não me podem manter com o dinheiro que não têm.

como o humor depressivo me tem afectado, a minha procura de emprego tem sido próxima de zero. no entanto, não sou tão azarado quanto parece e as experiências anteriores geraram frutos: estou a colaborar temporariamente com uma editora.

no entretanto, e tendo em conta um plano b (não seguir investigação, doutoramento), vou idealizando a possibilidade de trabalhar noutra área, ou em áreas aplicadas da psicologia. nesse sentido, nos dois últimos dias, participei num conjunto de formações na área do empreendedorismo. numa delas, falava-se da importância de nos "vendermos" para arranjar emprego (ou estágio). para isso, era preciso ter confiança no produto que estamos a vender: nós próprios. na verdade, o que mais me marcou nessa formação foi a forma como terminou: deveríamos aplaudir-nos, como achávamos que merecíamos. naquele momento, todos os participantes aplaudiram em força. uma pessoa aplaudiu-se em pé. uma em sessenta ou oitenta. e eu costumava ser essa pessoa. desta vez não fui. ultimamente não tenho sido.

já notei onde está o problema: ainda estou sentado. só preciso de me levantar. e aplaudir-me em pé.

 

e tu, ainda estás sentado (a)?

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às 10:43

«what am I doing here? what's this leading to?»

Pedro Simão Mendes, em 05.11.15

«lately I found myself in doubt, ask myself what it's all about»

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às 21:45

#683

Pedro Simão Mendes, em 01.11.15

na deprimência que o meu quotidiano se tornou, estou a tentar avançar com uns projectos literários. se correr bem, saberão brevemente. se correr mal, também.

 

até já

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às 22:47



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