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crónicas de lisboa #1

Pedro Simão Mendes, em 30.08.18

  estou sentado ao lado dele e sinto-me embalado pelo oscilar do comboio. vemos um filme no seu portátil porque a viagem é longa e não temos o hábito de ler. o som da carruagem a percorrer a linha faz-me sentir uma sensação de vida desperdiçada. tive a impressão de que ao longo da minha juventude deveria ter andado mais de comboio, queste tipo de viagens nos fazem falta e que poderiam ter-me tornado, de alguma forma, mais aventureiro. agora, com quase vinte e sete anos, sinto que há tanta coisa que deveria ter feito e ficou por fazer, e temo que não vá a tempo de fazer nenhuma delas.

  o filme que passa no ecrã à minha frente chama-se handsome devil e aborda a temática lgbt num colégio só de rapazes, onde o rugby é rei. mas é mais do que isso. é um filme sobre a dificuldade em assumirmos a nossa própria voz (seja ela qual for), sem medo do que os outros possam pensar.

  ele está a trocar mensagens com pessoas de lisboa que lhe possam arrendar um quarto. é que ele vai lá ficar um ano e meio, mais ou menos. e só agora, já no comboio, me caiu a ficha: ele vai ficar lá ano e meio. talvez tenha sido o ambiente criado pelo filme, com música bonita no fundo e momentos emocionais, que me tenha levado a sentir-me também emocional. porque, na verdade, eu (quase) só choro a ver filmes. senti uma mágoa no peito e um nó na garganta. ele vai fazer-me falta ao pé de mim. as despedidas serão feitas em lisboa, daqui a uns dias. até lá, espero aproveitar o sol com ele.

 

escrito a 23.08.2018

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às 19:20


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