Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



crónicas de lisboa #2

Pedro Simão Mendes, em 03.09.18

  escrevo isto deitado na minha cama numa noite mais fresca do que aquelas que passámos em lisboa. estou de volta a braga e, portanto, sozinho. finalmente, o tempo arrefeceu, hoje, dia marcado pelo incêndio do museu nacional do brasil, tragédia que talvez possa chamar a atenção para a falta de investimento de diferentes governos na cultura e na ciência. ou talvez não.

  amanhã volto ao trabalho. ao trabalho para o qual continuo nada motivado. e ainda me faltam dois anos e meio de doutoramento. enquanto isso, ele sobreviveu à primeira semana em lisboa, também sozinho, aventurando-se num trabalho na sua área, suficientemente motivador, e que se avizinha promissor. fico contente por ele. está a trabalhar no museu de história natural de lisboa, no qual espero não haver incêndios.

  uma semana passou e as saudades já apertam. lá, as despedidas não foram como imaginadas. no total, passámos quatro dias em lisboa sem aproveitar o sol como eu desejava. dois dias foram ocupados com a visita a quartos em diferentes pontos da cidade. ajudei-o nas visitas, e na escolha final. na verdade, a escolha não foi difícil. o mercado de arrendamento de quartos e/ou apartamentos tem estado impossível não só em lisboa, mas também em braga. claro que, na capital, as coisas chegam a ser realmente absurdas. o plafond dele não era assim tão elevado, e ter conseguido um quarto a 350€ com despesas incluídas, com boas condições no resto da casa, foi, acredite-se, um achado! fica é no cu de judas. os quartos mais centrais que visitámos eram mais caros, ou não incluíam as despesas. além disso, eram mais pequenos, em apartamentos muito mais velhos e sem uma cozinha decentemente equipada. parece-me que se avizinha um desafio tremendo para as centenas de estudantes que se irão ver obrigados a procurar alojamento agora em setembro, e para os seus pais que têm de financiar esse alojamento. terrível.

  os restantes dois dias foram para tentar aproveitar minimamente o tempo. infelizmente, os 34 ºC que se fizeram sentir (à sombra), impossibilitaram o regozijo e um descanso pleno. antes, trouxeram-me irritação pelo calor e suor, dores nos pés, e manchas dolorosas nas mãos e pés que, suspeita da médica, podem ser sintomas de uma doença autoimune. o último dia foi marcado por um brunch, e pelo plano de tentar instalá-lo na sua nova casa para o próximo ano (e meio) de forma tranquila, com tempo suficiente para nos despedirmos em condições antes de eu apanhar o comboio de volta para braga. tínhamos tempo...o que poderia correr mal?

  como se fosse preciso perguntar, não é? perdemos o primeiro autocarro, o que nos atrasou todo o percurso, e nos ia levar a perder a senhoria (e consequentemente a chave do apartamento). andámos a correr com as malas atrás, sob o sol tórrido que nos fazia suar em bica. depois de finalmente termos deixado as malas no apartamento, tínhamos planeado fazer algumas compras para equipar a sua nova casa para os próximos tempos. a senhoria foi super simpática e deu-nos boleia. mas...demorámos demais nas compras, e não havia autocarros de volta para o apartamento (efectivamente, era um domingo de agosto). ora, tivemos de fazer o caminho de 15 minutos a pé, novamente sob o sol tórrido, carregados com sacos cheios de compras. compras pesadas. lamento sobretudo pelas minhas mãos, carregadas das tais manchas dolorosas. resultado? chegar a casa suados, abastecer-me com água e algo para comer no comboio, e sair novamente a correr, a pé, para voltar para o metro, e ir a caminho de oriente.

  felizmente apanhei o comboio, ainda com uns minutos de antecedência. o que saiu penalizada foi a nossa despedida. mas, enfim, se sobrevivemos a esta primeira semana, o resto vai ser canja. até porque o plano é visitarmo-nos a cada quinze dias, mais ou menos. e não é que esteja a contar, mas já só faltam quatro dias.

 

escrito a 03.09.2018

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 22:13




mensagens

pesquisar

  Pesquisar no Blog