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crónicas de lisboa #3

Pedro Simão Mendes, em 18.10.18

  cinco de outubro, um feriado que, este ano, fez do fim-de-semana um pouco mais longo. depois de termos repensado uma possível viagem a uma cidade qualquer europeia, fora do país, acabámos por decidir visitar sintra. portanto, chegara a hora de eu voltar a lisboa.

  fui no dia quatro, fazendo a minha primeira viagem de longa duração de autocarro (camioneta) desde há muito, muito tempo. braga-lisboa, com paragem no porto e em fátima: uma viagem de mais de quatro horas, surpreendentemente mais confortável do que imaginara. e uma vez que sai mais barato do que viajar de comboio, acabou por compensar. cheguei a oriente, onde ele me esperava, ansioso. foi dos melhores reencontros de que me lembro. as saudades já eram muitas, e sentir os seus lábios nos meus fez-me sentir vivo.

  ele saíra do trabalho, e eu tinha feito uma viagem longa. estávamos demasiado cansados para fazer o que quer que fosse. voltámos para casa dele, onde cozinhámos, jantámos e fomos descansar. aproveitámos para planear - pobremente - a nossa visita a sintra. comprámos bilhetes para o parque e para o palácio da pena. uma amiga dele oferecera-lhe bilhetes para os castelo dos mouros, palácio nacional e palácio de monserrate. e eu nunca digo que não a uma borla (aliás, como quase todos os portugueses). arrancámos na manhã seguinte para sintra, dependentes dos transportes públicos disponíveis a um feriado.

  chegámos por volta da hora de almoço, esfomeados, o que justificou a nossa ida à pizza hut. enfartados, decidimos fazer o caminho até ao palácio da pena a pé, para desgastar tudo o que havíamos comido. foi interessante fazer aquela caminhada, para ver as casas darem lugar ao verde da serra, mas acabámos por perder uma hora só no caminho. entretanto, apercebemo-nos que nos tínhamos esquecido dos bilhetes para as ditas borlas que nos ofereceram. na verdade, ele esqueceu-se dos bilhetes. decidimos voltar no dia seguinte, para visitar o restante. a tarde passou a correr, e não vimos metade do parque da pena. visitámos o palácio, que merece muito ser visitado, e tivemos imensa pena de não termos conseguido explorar todo o parque, cuja beleza é exímia. voltámos à vila de autocarro (cujo bilhete deu para o dia seguinte também), e apanhámos o comboio. mais quase uma hora até lisboa, e mais uns bons minutos até chegar a sua casa. cozinhar, e tudo o mais, e não sobrou tempo para nada.

  na manhã de sábado, decidíramos sair mais cedo. em vão. voltámos a chegar a sintra pela hora de almoço, mas desta vez levávamos os bilhetes connosco. fomos almoçar a um restaurante tradicional, e bebemos uma garrafa de vinho. como não estamos habituados a beber, o desfecho foi algo engraçado. fizemos a subida até ao castelo dos mouros de autocarro, e a visita foi deslumbrante. e cansativa. anda-se imenso, sobe-se imensas escadinhas em cada canto, contornando toda a muralha. mas vale a pena. vale mesmo a pena. como estava tudo apinhado de turistas, a viagem de volta foi atrasada pelo trânsito. ainda assim, chegámos ao centro da vila, prontos a visitar o palácio nacional de sintra. a entrada foi-nos barrada porque os bilhetes já tinham sido usados. a desilusão total: não pudemos visitar o palácio nacional, e já não tínhamos tempo de visitar mais nada. decidimos voltar a lisboa, até porque queríamos sair depois do jantar. contas feitas, o tempo não chegou para nada. já depois de jantar, chegámos à baixa pelas 22h30. cansados e algo limitados pelos horários dos transportes, ficámos numa esplanada a beber mojitos muito mal feitos, a 7€ cada um. a noite tornara-se também muito fria, o que fez aquela combinação desagradável. voltamos para casa, porque no dia seguinte, queríamos ir ao museu de arte, arquitectura e tecnologia (maat), cuja entrada seria gratuita, por ser o primeiro domingo do mês.

Sintra

sintra, vista a partir do palácio nacional (outubro 2018)

 

   domingo foi o dia mais tranquilo. visitámos o museu com calma, e adorámos as exposições que lá estavam, muito centradas no impacto da humanidade no meio ambiente. se tiverem oportunidade, visitem. esqueci-me de referir que estou habituado a dormir numa cama de um metro e sessenta de largura, e a cama onde ele dorme é uma cama de solteiro, e na qual, neste fim-de-semana, dormimos os dois. foi desafiante, e terrível para as nossas costas. mais, uma vez que a casa é alugada, a dona da casa quase proibiu a visita de pessoas. no entanto, a colega de casa dele não esteve durante o fim-de-semana, e a senhora que lá vai todos os dias cuidar do cão que fica no terraço (e que me conheceu) chegou a dizer que se eu lá fosse, ela iria fingir que não sabia de nada. no entanto, ele não avisou que eu lá ia, pelo que no domingo à tarde, quando devia estar a sair para ir a tempo de apanhar o comboio, a senhora tinha ido lá para tratar do cão. acabámos por fugir às escondidas, para que ela não soubesse que eu lá passara o fim-de-semana. já no comboio, a caminho de braga, a minha mãe informou-me que tinha havido um incêndio na serra de sintra na noite anterior, facto que nos passou totalmente ao lado.

  enfim, um fim-de-semana que deixou a promessa de voltar a sintra uma outra vez, para visitar o que ficou por ver. na semana seguinte, ele voltou a braga porque o seu irmão casou, e o seu sobrinho foi baptizado (ele foi o padrinho). como não me convidaram para o casamento (é, a família dele não é tão fixe quanto a minha), só pude estar umas breves horas com ele no domingo, antes de ele ir embora. as saudades vão apertando cada vez mais, mas acho que é perfeitamente possível gerir.

  ele volta em breve, para o meu aniversário. eu ainda não sei ao certo quando volto a lisboa. mas voltarei, sem dúvida alguma.

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às 14:11




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