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crónicas de lisboa #4

Pedro Simão Mendes, em 08.11.18

  os últimos fins-de-semana foram passados com ele. quase parece que não estamos a viver a mais de trezentos quilómetros de distância. no final de outubro, ele veio a braga para celebrarmos o meu aniversário, e ter sentido o calor da sua pele durante a noite fez-me desejar, mais uma vez, poder senti-lo todas as noites. mas claro que o trabalho exige que se volte a ele, e ele lá voltou para a capital.

  a semana seguinte deveria ter sido de ausência. era suposto eu visitá-lo em lisboa apenas no próximo dia nove. era suposto não haver fim-de-semana prolongado (graças ao primeiro de novembro), porque havia a possibilidade de ele ter a senhoria lá em casa nesse fim-de-semana, e porque era suposto eu ter recolhas para um estudo, para além do meu seminário de investigação, como é habitual na manhã de sexta-feira. ora, o meu seminário foi cancelado, e o participante que tinha agendado a sua participação para essa sexta-feira faltou.

  entretanto, ele descobriu que, afinal, as pessoas que lá iriam dormir só o iriam fazer no fim-de-semana de nove a onze, e afinal já teria sido possível eu ter ido a lisboa para um fim-de-semana prolongado. é que a situação dele é um pouco lixada, e sem sentido. conseguiu arrendar um quarto por 350€ em marvila (algo longe do seu trabalho) com despesas incluídas. para a qualidade do apartamento, achámos que foi um achado. partilha a casa com uma rapariga que está cá a fazer erasmus. depois, há o caso misterioso de uma pessoa (ou casal, nunca percebemos bem) que visita a casa e fica num dos quatro quartos apenas três vezes por ano. nós achámos que é a dona da casa, que está a trabalhar fora do país e que seria ela a vir cá agora em novembro. o outro quarto está livre, e há uma amiga da dona da casa que vai lá todos os dias cuidar dum cão que vive no telhado. da primeira vez que lá fui com ele, para o ajudar a instalar-se, questionámos essa senhora sobre a possibilidade de eu o visitar de vez em quando. "e onde vai dormir?", perguntou. "com ele", respondi. a reacção da senhora foi algo de memorável, sem dúvida. fartou-se de dizer que não julga, e que prefere honestidade desde o início. disse que por ela estávamos à vontade, mas que iria falar com a dona da casa. mais tarde soubemos que a dona da casa não aprovava a minha visita, pelo aumento das despesas. sim, pelos vistos eu dormir lá duas noites, tomando dois banhos faz com que 350€ de renda não cubram essas despesas "extra". até que me pedisse 5€ por essas duas noites poderia ser razoável, mas nunca na vida faço mais despesa do que essa. então, da última vez que o visitei, foi meio às escondidas, porque ele não quis avisar que eu iria lá. acho estúpido, porque ele paga, e no quarto dele (pelo menos) poderá fazer o que bem entender. inclusivé receber o seu namorado para um (muito breve) fim-de-semana. mas enfim, este esclarecimento era apenas para que percebessem que 1) não me faz sentido ter de visitá-lo meio às escondidas; e 2) esta visita da dona da casa (ou lá quem lá irá ficar) justificou a antecipação da minha visita a lisboa para o primeiro fim-de-semana de novembro.

  no ano passado, no dia dos namorados, ofereci-lhe uns tickets, ou uns vales, em que escrevi várias coisas na sua traseira, como "vale um abraço apertado", "vale uma sobremesa por encomenda", ou "vale beijinhos no corpo todo". cenas românticas e lamechas, portanto. e há pouco tempo, tinha-lhe oferecido um "vale uma ida 'extra' a lisboa", para ele gastar quando tivesse muitas saudades, ou precisasse de uma visita mais urgentemente. este fim-de-semana, portanto, foi a desculpa para gastar esse ticket.

  decidimos a meio da tarde de sexta-feira, assim à pressa e sem pensar muito. ainda vi horários de transportes para a manhã de sábado, mas perderia metade de sábado só na viagem. tinha de ir logo na sexta, ao final do dia. tinha de correr, e despachar-me para poder apanhar o autocarro das dezoito. quase cinco horas depois, lá cheguei eu a oriente e ele, feito guna, à minha espera.

  cansaço e frio até sua casa. descansar. decidimos passar a maior parte do fim-de-semana em casa, para descansarmos, e nos darmos à ronha a que tanto temos direito. por isso mesmo, no sábado só saímos de casa a meio da tarde, e fomos passear um pouco. a chuva da semana tinha parado, e o céu estava lindo. lisboa estava linda. houve tempo para algumas fotos. ao final da tarde já fazia muito frio, por isso jantámos no shopping e, depois, fomos a um concerto de príncipe, no teatro ibérico (ele pagou os bilhetes). depois do concerto, caminhámos no frio da noite até sua casa. foi surpreendentemente agradável. domingo foi um dia de mais ronha, e pouco passeio. mas passou a correr.

  passa tudo sempre a correr. mas o lado bom é que a semana de trabalho acaba por passar a correr também. ah, e claro, e como ele vem já amanhã para braga, quase parece que não estamos a viver a mais de trezentos quilómetros de distância.

 

caravela em lisboa

ribeira das naus, lisboa (novembro 2018)

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às 17:30




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