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das boas intenções

Pedro Simão Mendes, em 05.09.18

  sabem aquela expressão, "de boas intenções está o inferno cheio"? ora, a verdade é que eu não acredito no inferno, mas que as boas intenções podem não ter o resultado pretendido já estou farto de saber. é que acontece muito, na minha família. comigo. desde há muitos anos.

  estou em mudanças. finalmente vou sair de casa dos meus pais, para morar dividir a casa com um amigo. não é o ideal, mas haverá de servir para mudar de ares e, quem sabe, melhorar a minha saúde mental. ou talvez não. porque estou em mudanças. e tempos de mudança são sempre, de certa forma, atribulados e, por isso, podem causar ansiedade.

  agora, juntem estas duas coisas: boas intenções e mudanças.

 

    exacto, não deu coisa boa.

  estou a gastar muito dinheiro com esta mudança, porque tenho de comprar mobília de quarto e alguns electrodomésticos. é uma merda, mas é, esperao, para um bem maior. claro que os pais querem sempre ajudar, não é? e ajuda é (quase) sempre bem vinda. é então quando o pai, que não gosta de ser incomodado, e prefere ficar no sofá ou na cama a ver tv se oferece para ajudar a montar a mobília. fico meio dividido, porque sei que vai dar merda e vai haver discussões de certeza. daí não lhe ter pedido mais cedo. e porque certos amigos não são ajuda garantida, lá terei de aceitar a ajuda quase forçada, que trará discussão forte e feia. a mãe, com quem tenho partilhado algumas ideias e, até - pasmem-se -, a quem tenho solicitado algumas opiniões, resolveu, na sua folga, comprar-me um enxovalzinho todo catita: dois jogos de lençóis e uma colcha. o fulcral aqui é: eu não pedi que me comprassem coisa nenhuma. e, confesso, não gosto muito de surpresas. gosto de comprar as coisas à minha maneira, e decorar o meu quarto de raíz iria ser uma óptima oportunidade para fazer isso mesmo: decorá-lo à minha maneira.

  obviamente, não gostei da colcha. os lençóis, que se foda, são para dormir e pouco mais. mas a colcha faz parte da decoração do quarto. tem de fazer sentido para os meus gostos. claro que agora eu é que sou o mal agradecido, o irritadinho que não gosta de nada. na verdade sei que não consigo esconder o meu desagrado quando o que me oferecem não corresponde às expectativas (sempre altas) me fizeram ter, ou que eu próprio criei. no entanto, estou quase a fazer vinte e sete anos. são pelos menos quinze anos em que a minha família deveria ter percebido que eu não gosto que me comprem coisas aleatórias para me tentar agradar. de todas as vezes, nunca me lembro de ter resultado.

  toda esta situação (que até nem é assim tão grave), aliada ao meu humor depressivo e ansiedade actuais, e no final de um dia de merda, me deixou extremamente irritado. mas mais do que isso, deixou-me triste. triste porque a minha família mais próxima não me conhece, de todo. e a minha irritação é muito provavelmente apenas uma manifestação não muito saudável ou adequada da tristeza que tenho sentido.

 

  foda-se.

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às 22:10


2 comentários

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De Pedro Neves a 06.09.2018 às 11:00

Olá,
Já passei por isso, essa sensação de que as pessoas mais próximas não me conhecem, mas, ao fim de algum tempo, percebi que é assim mesmo. Às vezes as pessoas que estão mais próximas de nós, que vemos mais vezes, agarram-se a uma ideia de nós que, obviamente, é apenas uma parte do que somos ou que simplesmente já não somos. Não tenho um conselho para dar, mas sair de casa vai certamente ajudar a dar mais perspetiva a essa situação. Daqui a nada, essa colcha é capaz até de ganhar outra dimensão. Até lá, eu diria para aceitar toda a ajuda, sabendo de antemão que, no fim do dia, a colcha e tudo o que possa vir com ela, pode ser guardada para outros dias ;) Boas mudanças!
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De Pedro Simão Mendes a 17.09.2018 às 11:34

Olá, Pedro.
Tens razão. Certamente ao sair de casa vou ver isto com outros olhos, e não vai parecer tão dramático.

Obrigado pelo comentário, e pela partilha :)

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