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das rolas

Pedro Simão Mendes, em 21.06.18

   de vez em quando toco piano. muitas vezes abro as janelas da sala. algumas vezes, toco piano com as janelas da sala abertas.

   houve já algumas vezes dessas vezes em que tocava piano com as janelas abertas em que notei que alguns pássaros vinham pousar-se na antena de televisão que tenho perto da varanda. podem pensar que sou idiota (até porque provavelmente sou), mas cheguei a pensar que estariam a gostar da música que tocava, e que pousavam lá para a ouvir mais de perto. a verdade é que o piar dos pássaros crescia em frequência enquanto tocava, e o número de pássaros tendia também a ser maior que o costume. obviamente, estou a inferir coisas e a dar significado ao comportamento provavelmente aleatório das diversas aves que rondam a zona onde moro.

   ora, esta manhã toquei piano com as janelas abertas. vi um pardal pousar na antena. mais tarde, juntou-se-lhe uma rola. a rola estava a olhar na minha direcção. pensei novamente que pudesse estar a gostar da música, que pousou ali precisamente para escutá-la. nesse preciso momento, a rola levanta vôo na minha direcção e entra em minha casa, atropelando-me o pensamento, e interrompendo a melodia que indirectamente saía dos meus dedos. esvoaçava, tonta, contra outras janelas. consegui abrir mais amplamente a janela por onde entrara, e ela lá se escapuliu.

   pensei mais tarde que aquela rola pudesse estar a sentir-se sozinha, e talvez tivesse ouvido na melodia que eu tocava ao piano uma qualquer canção de engate. afinal de contas, o verão começou hoje, e no verão, estamos mais horny, e somos sempre mais impulsivos. talvez me quisesse conhecer melhor.

   ou talvez tenha odiado a melodia, e me quisesse fazer parar, e por isso a sua verdadeira intenção era matar-me, ou pelo menos arrancar-me um olho. acho que nunca saberei, e talvez seja melhor assim.

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às 12:00




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