Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



do sítio onde se guardam nêsperas

Pedro Simão Mendes, em 06.01.24

   no dia 8 de dezembro fui ao altice arena para ver uma nêspera no cu, espetáculo de bruno nogueira, nuno markl e filipe melo. para além de mencionar a aleatoriedade de convidados e dilemas apresentados, nada mais direi sobre os conteúdos do evento, também a pedido dos artistas, porque o que acontece na nêspera fica na nêspera.

   comprei os bilhetes em julho e, aparentemente, fui um dos primeiros a fazê-lo, já que os bilhetes esgotaram cerca de 20 minutos após terem sido postos à venda. tive essa oportunidade porque tenho vindo a acompanhar o podcast do bruno nogueira, isso não se diz, onde divulgou o espetáculo em primeira mão. surpreendentemente tenho acompanhado um podcast. eu, que nem gosto muito de podcasts, mas gosto deste pela sensatez com que bruno nogueira disserta sobre a sua - e muitas vezes nossa - existência. e é sobre essa sensatez que tenho querido escrever há já alguns meses. na verdade, quase desde que o podcast estreou, em abril, que tenho esta vontade de voltar a dar voz aos meus pensamentos (aliás, como mencionei aqui em junho e em julho). essa vontade cresceu com o curso que referi também há uns meses e que versou sobre a criatividade e inovação digital.

   no módulo desse curso dedicado à criatividade e ao design thinking, mas também nas aulas "laboratoriais" de storytelling, fui desafiado a pensar diferente através de vários exercícios ao longo de semanas. muitos desses exercícios envolviam escrever e serviram de propulsor para a minha própria escrita. depois de meses sem escrever um poema, eis que uma e outra palavra se juntaram para formar alguns versos. mas nada demasiado complexo e consistente. aliás, com o término do curso a capacidade de escrever também foi desaparecendo.

   mas dizia eu que queria falar sobre a sensatez de bruno nogueira. muitas das pessoas que conheço me dizem que não gostam muito do humor que ele faz. e eu penso que pena, porque sei que é um humor que requer alguma inteligência para ser compreendido. e depois penso que devo estar rodeado de idiotas. não que eu não seja também um idiota, atenção. na verdade consigo compreender que nem todos consigam achar piada à aleatoriedade e parvoíce de algumas das suas ideias. no entanto, quando ele analisa o mundo e a realidade e expõe o seu total absurdo, isso é, na minha humilde opinião, de génio. e digo de génio porque ele analisa diferentes situações polémicas ou do quotidiano e consegue não só ver os dois lados do problema, mas compreendê-los e encontrar um meio termo. e quando o faz, tem a capacidade (e o direito) de tornar ridículos esses dois lados, extremos e opostos que, por falta de diálogo, são incapazes de ceder a sua posição de se achar dono da verdade.

   a verdade é que me identifico com muito do que o bruno nogueira diz e, secretamente, gostaria de ser um pouco mais como ele. gostei especialmente do detalhe sobre ele escrevinhar ideias que vai tendo ao longo da semana para depois desenvolver no seu podcast, ou eventualmente nas crónicas que escreve na sábado. também eu costumava escrevinhar ideias para desenvolver mais tarde... e agora nem isso consigo fazer, porque continuo a achar que escrever ou concretizar muitos dos meus pensamentos seria em vão.

   neste natal, a minha família optou uma vez mais por fazer uma espécie de amigo secreto, mas sem o segredo. cada pessoa dá apenas uma prenda, garantindo que todos recebem algo (que gostariam de ter). assim, foi fácil escolher  como prenda o livro do bruno nogueira, aqui dentro faz muito barulho, que é uma compilação de algumas daquelas crónicas. e neste livro, que vou lendo aos poucos, percebe-se ainda melhor a sensatez (e humor) com que bruno pensa em diversos problemas do seu, e do nosso, mundo. sinto que é fácil empatizarmos com ele, perceber o seu ponto de vista, e refletirmos nós próprios sobre as questões que assolam a sociedade contemporânea e que ele tão bem capturou.

   oxalá estas reflexões sirvam como novos estímulos para o meu processo criativo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 17:13


6 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 10.01.2024 às 12:57

.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 10.01.2024 às 20:22

E maiusculas a seguir a um ponto final... não?!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 10.01.2024 às 20:29

o autor utiliza o código ortográfico saramaguês...
Sem imagem de perfil

De Maria a 10.01.2024 às 23:18

E porque não?
O blog é dele, escreve o que quiser, como quiser, certo?
Sem imagem de perfil

De Ricardo Pinto a 12.01.2024 às 13:32

Não, não é pelo facto do "blog ser dele" que escreve como quer! Que raio de regra é essa? Qual o limite! A casa é minha, violo quem quiser? O blog é meu, digo falsidades sobre quem me apetecer!?
Mas quando é que esta gente aprende que liberdade é responsabilidade estão directamente ligados!?
Imagem de perfil

De Bete do Intercambiando a 12.01.2024 às 17:52

Gente, larguem mão de serem chatos e curtam o belo texto do Pedro que, como ele mesmo disse, está buscando estímulos para a escrita!... Assim todas as pessoas estivessem tão abertas "ao tapa na cara", (pois quem escreve em blog, assim está) e compartilhassem seus pensamentos. Já pensaram que riqueza?
Pois eu, adorei o texto! Não conheço o Bruno Nogueira, porque não temos esse prazer aqui no Brasil. Mas, graças ao texto e suas ótimas indicações, vou procurar conhecê-lo. Para mim, o texto foi rico.
Menos críticas e mais incentivos, é o que precisamos.

Comentar post




mensagens

pesquisar

  Pesquisar no Blog